quarta-feira, 21 de julho de 2010

Mulheres ainda são minoria nos espaços de poder

Os resultados das eleições em 2008 demonstram que não houve um grande avanço da incorporação de mulheres na política institucional e no recrutamento de mulheres candidatas em todo o país.
A pequena participação da mulher na política é um
problema estrutural, de natureza cultural e, talvez, conseqüência da realidade objetiva do atual estágio de desenvolvimento econômico do nosso país. 
Culturalmente, a mulher foi educada para não valorizar o sexo feminino e confiar no sexo oposto. Desde criança, as mulheres desempenham as mais variadas atividades,  mas são condicionadas a não ousarem pleitear cargos de direção.
As mulheres são ainda desacreditadas e desvalorizadas quando pleiteiam esses cargos.
Quanta distorção! Na maioria dos segmentos e entidades, a base mais ativa e mobilizadora é formada por mulheres.
Porém, a direção é masculina. A dupla jornada e a responsabilidade que as mulheres assumem em casa, já que 30% são chefes de famílias, as impedem de sonhar com a possibilidade de assumirem qualquer
posição de destaque extra-lar.
Apesar do sistema de cotas, os partidos encontram dificuldades em compor chapas que supram essas vagas. Os próprios partidos políticos refletem a quase inexpressiva participação da mulher no parlamento. Que seja revista a composição de suas direções e da destinação de percentuais do fundo partidário e do tempo de
propaganda partidária gratuita para a promoção das mulheres na política. Não há a devida valorização das lideranças femininas e, como conseqüência, grande parte das candidatas  não consegue recursos para financiar suas campanhas eleitorais.
As expectativas nestas eleições de 2010 é que a mulher possa votar em mulher! Na verdade, o sexo feminino começou a  identificar a possibilidade das mulheres fazerem a diferença com a apresentação de projetos e ações que contribuam para mudar sua realidade. As conquistas femininas na legislação foram propostas por movimentos de mulheres que atuaram junto aos parlamentares.Também é  fundamental  aprofundar o debate sobre uma reforma política que possa democratizar o sistema político brasileiro. Levanto questões importantes como o financiamento público exclusivo de campanhas (que possa equalizar as condições de competição e impedir que o setor econômico e financeiro seja o decisivo nas eleições de homens e mulheres); e, principalmente, a transformação estrutural na base econômica da sociedade para que esta proporcione as mesmas condições de oportunidade de trabalho e de capacitação profissional para ambos os sexos.
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Texto de Maria Vanir

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