domingo, 8 de maio de 2011

Conheça as CEBs - Comunidades Eclesiais de Base




Foram as Comunidades Eclesiais de Base que conseguiram uma renovação em nossa cultura política e durante a luta contra a ditadura militar, deram uma grande contribuição à redemocratização do Brasil.
As Comunidades Eclesiais de Base surgiram no Brasil na década de 1960, como pequenos grupos organizados em torno das paróquias. A iniciativa de organização das CEBs coube aos leigos, padres e alguns Bispos.
A partir da reflexão sobre os problemas da família, do trabalho e do bairro, as CEBs ajudaram a criar movimentos sociais para organizar sua luta: associações de moradores, luta pela terra e também o fortalecimento do movimento operário. Como resultado da experiência de catequese popular em Barra do Piraí (1956) ou do Movimento da Diocese de Natal, ou ainda do Movimento de Educação de Base. Sua gestação e nascimento se deram no contexto mundial da Guerra Fria, quando o mundo era dividido entre o bloco comunista e o bloco capitalista.
Uma das motivações iniciais era suprir a ausência de padres nas regiões onde os desafios eram maiores, nas quais os batizados não tinham nenhum contato com um processo de evangelização. A auto-organização leiga preencheria esta lacuna, sob a autoridade do bispo local.
Não se pode negar a influência do esforço da Ação Católica na questão da cidadania, os esforços de renovação pastoral do Movimento para um Mundo Melhor e dos Planos de pastoral da CNBB; Plano de Emergência e Plano de Pastoral de Conjunto e também a rearticulação da pastoral popular após o golpe militar de 1964. Como marco referencial temos: As conferências católicas de Medellín (1968) e de Puebla (1979) colaboraram decisivamente para sua evolução. Medellín preencheu o imaginário eclesial com a temática da Libertação e Puebla com a evangélica opção preferencial pelos pobres, e mais recente a V Conferência geral do episcopado latino-americano e do Caribe – Aparecida - SP, 13-31 de maio de 2007.

As CEBs ao longo de sua história, já realizaram 12 encontros intereclesiais, reunindo membros de todo o Brasil e America latina:
1º Intereclesial - Vitória (Espírito Santo), 1975. Tema: Uma Igreja que nasce do povo pelo Espírito de Deus.
2º Intereclesial - Vitória (Espírito Santo), 1976. Tema: Igreja, povo que caminha.
3º Intereclesial - João Pessoa, (Paraíba), 1978. Tema: Igreja, povo que se liberta.
4º Intereclesial - Itaici (São Paulo), 1981. Tema: Povo oprimido que se organiza para a libertação.
5º Intereclesial - Canindé (Ceará),1983.Tema: Igreja, povo unido, semente de uma nova sociedade.
6º Intereclesial - Trindade (Goiás), 1986. Tema: Cebs, povo de Deus em busca da terra prometida.
7º Intereclesial - Duque de Caxias (Rio de Janeiro), 1989. Tema: Povo de Deus na América Latina a caminho da libertação.
8º Intereclesial - Santa Maria (Rio Grande do Sul), 1992. Tema: Povo de Deus renascendo das culturas oprimidas.
9º Intereclesial - São Luís (Maranhão), 1997. Tema: Cebs, vida esperança nas massas.
10º Intereclesial - Ilhéus (Bahia), 2000. Tema: Cebs, povo de Deus, 2000 anos de caminhada.
11º Intereclesial - Ipatinga (Minas Gerais), 2005. Tema: Cebs, espiritualidade libertadora.
12º Intereclesial - Porto Velho (Rondônia), aconteceu dos dias 21 a 25 de julho de 2009. Tema: CEBs: Ecologia e Missão e Lema: Do Ventre da Terra, o grito que vem da Amazônia.
O 13º Intereclesial das CEBs acontecerá em janeiro de 2014 em Crato, no estado do Ceará. Esse encontro terá como tema Justiça e profecia a serviço da vida e como lema CEBs, romeiras do Reino no campo e na cidade.

Para finalizar: Leonardo Boff propõe a seguinte reflexão: “O que se esconde atrás da opção pelos pobres?”. Segundo ele, escondem-se duas visões extremamente originais. A primeira é de que os pobres não são apenas pobres; eles têm força de utopia, de reflexão e de prática; eles são sujeitos históricos; eles podem, junto com os outros, transformar a sociedade perversa sob a qual sofremos. Essa visão vai contra todo assistencialismo histórico das Igrejas que trabalham para os pobres mas nunca com os pobres e a partir da ótica dos pobres. A segunda visão é que os pobres, em sua grande maioria cristãos, ajudam a fundar um novo modelo de Igreja, mais enraizada na vida cotidiana das pessoas, mais comprometida com a justiça, mas organizada sob a forma da comunhão e da participação. Ou seja, “optar pelos pobres” necessariamente precisa combinar a tradicional prática da reciprocidade com a moderna noção de democracia.

Nenhum comentário:

Postar um comentário